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'''Homenagem a Arthur Ferreira Filho''' - Em 28/3/2026 por Daniel Viuniski
'''Homenagem a Arthur Ferreira Filho''' - Em 28/3/2026 por [[Daniel Viuniski]]


== Histórico ==
== Histórico ==

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Homenagem a Arthur Ferreira Filho - Em 28/3/2026 por Daniel Viuniski

Histórico

Homenagem a Arthur Ferreira Filho

Desde 1975, portanto há 51 anos, ocupo a Cadeira nº 21, dessa egrégia Academia Passo-Fundense de Letras, cujo Patrono é o insigne Engenheiro, Militar, Político e Escritor Arthur Ferreira Filho. Ao iniciar as pesquisas da trajetória biográfica do meu Patrono, me deparei com uma curiosidade. E, não se trata de coincidência, pois elas não existem. É o universo que conduz nossa existência e nada acontece por acaso. Pela Cadeira 21 passaram nomes respeitáveis da cultura local como o Químico e Farmacêutico Dr. Tristão Feijó Ferreira, profissional que abalizou, com seu conhecimento, práticas modernas para a época, na área de saúde de Passo Fundo. Foi um dos criadores da antiga Associação Passo-Fundense de Medicina, na década de 1930. Entidade embrionária da hoje Academia Passo-Fundense de Medicina.

Assim também sentou na cadeira nº 21, o Advogado Dr. Jurandir Algarve, brilhante causídico que atuava, nas áreas cível e penal, incluindo atuações consagradoras no Tribunal do Júri de nossa Comarca.  Assim como o Dr. Tristão Ferreira, me formei na Faculdade de Química e Farmácia, em Santa Maria e assim como Dr. Algarve, me formei em Direito, em Passo Fundo e exerço a advocacia penal, com atuações no Tribunal do Júri.  

Feito este preâmbulo, que achei interessante, passarei a prestar homenagem ao meu Patrono Dr. Arthur Ferreira Filho. Filho do fazendeiro, Arthur da Silva Ferreira e de Maria José Ferreira, Arthur Filho, nasceu na famosa Fazenda Bujuru, em São José do Norte, extremo sul do Rio Grande do Sul, no dia 20 de setembro de 1899. Com sua família mudou-se para a gélida cidade de Bom Jesus, nos Campos de Cima da Serra, quando ainda era um menino estudante do curso primário. Nesta cidade exerceu forte liderança, que era uma de suas características, e se transformou no primeiro Delegado de Polícia e mais tarde Prefeito de Bom Jesus, durante todo o ano legislativo de 1930.

Arthur Ferreira Filho tinha descendência de ricos fazendeiros e militares de patente. Filiado ao Partido Republicano Rio-Grandense, de Júlio de Castilhos. Ingressou, em 1923, nas Forças Militares e foi nomeado Capitão da Brigada do Norte, na Revolução de 1923, defendendo Borges de Medeiros em operações de guerra em Santa Catarina e no Paraná. Chegou ao posto de Tenente-Coronel, em 1925 e recebeu várias condecorações por sua bravura e estratégias durante a revolução.

Citando o Engenheiro Civil e Professor com Mestrado e Doutorado, pela Colorado State University, dos Estados Unidos, Dr. Nelson Sant’Anna de Azambuja: “Arthur Ferreira Filho encarnou o que o Rio Grande tem de melhor, com sua experiência da campanha do tempo, das tropeadas de gado gordo para as tabladas de Pelotas, dos negócios de mulas de tiro para as áreas mineiras e para as urbanizações de São Paulo. Castilhista de berço, manteve-se sempre dentro dos padrões éticos da filosofia positivista de Augusto Comte, mostrado no regime de nobre conduta cívica dos governos de Júlio de Castilhos e Borges de Medeiros. Em todas as funções públicas que ocupou, sempre desempenhou fecunda e honesta administração. E, mais de que qualquer outra coisa, assistiu e participou da consolidação da República, colaborando para sua manutenção, colocando, inclusive, em risco sua própria existência”

Oficial Militar e exercendo a atividade de Engenheiro, Arthur Ferreira Filho, aportou em Passo Fundo na segunda metade da década de 30, mais precisamente em 1937, com sua família. Havia casado em Bom Jesus com a senhora Thereza Carvalho da Fonseca e com ela tivera cinco filhas.

A partir de 1937, o Brasil vivia sob a égide do Estado Novo, regime ditatorial imposto pelo Presidente Getúlio Dornelles Vargas. Foram extintas as eleições diretas e os governistas, em níveis estadual e municipal eram nomeados, uma espécie de interventores. Arthur Ferreira Filho era um homem altivo, culto, líder, e reconhecido como uma autoridade em conhecimento da história do Rio Grande do Sul e, desta forma, escolhido pelo Governador do Estado, interventor Manoel de Cerqueira Daltro Filho, para o cargo de Prefeito de uma importante cidade gaúcha, que Passo Fundo já era aclamada.

Desta forma, em 22 de março de 1938, Arthur Ferreira Filho assumiu, pela primeira vez, o Executivo Municipal, de Passo Fundo. Após sua posse criou um Conselho Consultivo para lhe auxiliar em diversas e complexas questões que envolviam a administração. Prosseguiu obras que estavam em andamento, como a extensão da rede de água potável e também o calçamento das principais ruas do centro da cidade, com pedras regulares de paralelepípedos e a remodelação da Praça Marechal Floriano. Igualmente, criou a Biblioteca Pública Municipal, e aqui faço um pequeno parêntese. Algumas décadas depois a mesma biblioteca, criada pelo meu Patrono, Arthur Ferreira Filho, recebeu oficialmente o nome de meu irmão Arno Viuniski, que recém havia falecido. Continuando, e criou também uma escola rural, chamada Escola Protásio Alves, no então distante Bairro Exposição, hoje Bairro São Cristóvão. Mais tarde o prédio da escola foi ocupado por irmãs da Congregação Carlista e serviu para acolhimento de menores abandonados. Foi o embrião do futuro Patronato de Menores.

Seu mandato foi até 7 de dezembro de 1941, quando foi sucedido por Victor Graeff. Arthur Ferreira Filho mais uma vez foi nomeado Prefeito de Passo Fundo, em 28 de outubro de 1944, quando sucedeu a Raul Cauduro, permanecendo até 21 de novembro de 1945, sendo substituído por Francisco Antonino Xavier de Oliveira. Porém, em 19 de fevereiro de 1946, por Ato assinado pelo Interventor do Estado Ernesto Dornelles, substituiu na Chefia do Executivo local o próprio Antonino Xavier. Permaneceu no cargo até 3 de fevereiro de 1947, quando o entregou a Ivo Pio Brum, eleito, pelo voto, após a promulgação da nova Constituição Brasileira.

Em Passo Fundo, em 1939, ajudou a criar o Grêmio Passo-Fundense de Letras, entidade antecessora da Academia Passo-Fundense de Letras e sucessora do Grupo Literário Amor à Instrução. E, nomeado acadêmico, Ferreira Filho ocupou a Cadeira numero quatro cujo Patrono é Antônio Vieira Caldas Junior.  Em 1961, quando o Grêmio se transformou em Academia Passo-Fundense de Letras, Arthur Ferreira Filho, residindo em Porto Alegre foi elevado à Patrono da Cadeira nº 21.

Ainda em 1947, a pedido do Governador do Rio Grande do Sul Walter Jobim foi remanejado para a cidade de São Leopoldo onde foi exercer o mandato de Prefeito daquele município, exercendo o cargo pelo breve período entre 21 de agosto de 1947 a 30 de dezembro do mesmo ano.

Sob a liderança de Ferreira Filho os partidos que iriam disputar as eleições municipais de 1947, em Passo Fundo, tiveram um breve momento de paz. Nesse período estava filiado às cores do Partido Social Democrata e apoiou a candidatura do ex-Prefeito Armando Annes (PTB). Arthur Ferreira Filho estava na cidade a pedido do Governo do Estado, para costurar um “histórico acordo”, que acabou não se efetivando, em razão da intransigência entre os caciques partidários, Nicolau Vergueiro (PSD), César Santos (PTB) e Júlio Mendes (UDN). Sob o manto do Partido Trabalhista Brasileiro, Armando Annes, com Daniel Dipp, como Vice, se elegeram e, Dionísio Lângaro, candidato pelo PSD perdeu por apenas 165 votos.

Ferreira Filho passou a ser satirizado e ridicularizado no jornal O Nacional, que tinha como Diretor-Proprietário o jornalista Múcio de Castro, arraigado fielmente ao PTB, tratando-o como ex-coronel prefeito. Outro seu desafeto foi Gomercindo dos Reis, que escrevia colunas no jornal criticando o período de Ferreira Filho, como Prefeito Interventor.

Ainda em 1947, Arthur Ferreira Filho se candidatou a uma vaga à Assembleia Legislativa do Estado, porém, não logrou êxito. Entre os passo-fundenses candidatos, Ferreira Filho, do PSD, obteve 2.506 votos contra os eleitos César José dos Santos (PTB) com 3.389 votos e Victor Oscar Graeff (UDN), com 2.337 votos. Foram 169 votos a mais que Graeff, porém, a legenda não o ajudou.

Este foi um dos últimos atos de Arthur Ferreira Filho na politica partidária de Passo Fundo.

Entre os cargos públicos que ocupou constam ainda: Delegado de Polícia, em Passo Fundo e Carazinho; Juiz Municipal de Bom Jesus; Chefe da Secretaria Estadual de Agricultura; Diretor da Biblioteca Pública do Estado, em Porto Alegre; Assessor de Gabinete do Governador Walter Peracchi de Barcellos.

Mas também ganhou notoriedade como escritor. O perfil de livros que Arthur Ferreira Filho publicou se referia a história do Rio Grande do Sul. Entre eles o mais famoso e vendido com várias edições foi A História Geral do Rio do Sul – 1503 a 1964. Em sua página 167, escreveu: “para gáudio de nossa gente, os guerreiros de 23, portaram-se, em geral, como homens civilizados. Foi uma revolução relativamente humana. A prática odiosa de matar prisioneiros foi raramente empregada, e sempre à revelia dos chefes responsáveis”.   

Outros foram: A Revolução de 23, que vivenciou como Capitão da Brigada Norte; Revoluções e Caudilhos; Rio Grande Heroico e Pitoresco; Narrativas de Terra e Sangue; Dom Diogo de Souza – Caderno de Estudos; Nomes Tutelares do Ensino Rio-Grandense; Uma biografia de Júlio de Castilhos, ao lado de outros ícones da literatura do Rio Grande do Sul, como Othelo Rosa, Sérgio da Costa Franco, Moysés Vellinho e Guilhermino Cesar, além de seu último livro chamado Memórias, sua autobiografia, lançado post mortem.

O escritor Ângelo Torres, prefaciou o último livro de Arthur Ferreira Filho e escreveu:  “quem quiser conhecer o Rio Grande a cavalo, do Império e dos primeiros anos da República, deve percorrer as páginas de Narrativas de Terra e Sangue, de Arthur Ferreira Filho, onde ele relata as histórias pastoris daqueles tempos, com enorme simplicidade, mas também com uma emoção que não pode deixar de fazer retornar às suas origens, como aqueles que se mantiveram espacialmente distantes do seu querido torrão natal”.

Escreveu vários prefácios, entre eles do livro A História do Brasil Através de Seus Fortes, de autoria do Coronel Cláudio Moreira Bento.

Arthur Ferreira Filho, um escritor culto, erudito e dono de profunda conhecimento da história do Rio Grande do Sul, é Patrono da Cadeira Especial da Federação de Academias da História Militar Terrestre do Brasil. Também Membro do Instituto Geográfico do Rio Grande do Sul; Instituto de Geografia e História Militar do Rio Grande do Sul; Academia Rio-Grandense de Letras, da qual foi Presidente, em 1969; Instituto Histórico e Geográfico de Paranaguá; Instituto Histórico e Geográfico de Santa Maria; Academia de Letras da Fronteira Oeste. Foi condecorado com a Medalha do Pacificador, entregue pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul e Medalha Marechal Floriano de Farias, por seu trabalho de resgate da História Militar.

Seu nome foi também eternizado através da Lei Municipal nº 7908/1996, de Porto Alegre, ato assinado pelo Prefeito Tarso Genro, com a denominação de Praça Arthur Ferreira Filho, localizada no Bairro Santo Antônio.

Arthur Ferreira Filho faleceu em Porto Alegre, onde residia desde os anos de 1950, no dia 25 de março de 1996, aos 96 anos de idade.

Referências